Conselheiro de empresas, palestrante, autor de cinco livros, CEO da W3 Investimentos e referência das redes sociais com o Tecla SAP, Julio Damião mostra que indiferente do tamanho da empresa, é necessário fazer as perguntas certas para se posicionar em um mundo cada vez mais incerto.
É com grande entusiasmo que a Revista Belvedere dá as boas-vindas ao nosso novo colunista, Júlio Damião, especialista em negócios e finanças. Reconhecido por sua visão estratégica e por traduzir temas complexos do universo econômico com clareza e profundidade, Júlio chega para enriquecer ainda mais o conteúdo editorial da revista, levando aos leitores análises atuais, tendências de mercado e reflexões práticas para quem busca crescimento, inteligência financeira e tomada de decisões mais assertivas. Para nós, é uma verdadeira honra contar com sua expertise e credibilidade, agregando ainda mais valor a uma publicação que tem como essência informar com sofisticação e relevância. Júlio, seja muito bem-vindo e obrigada por compartilhar seu conhecimento conosco e com nossos leitores. Raquel Lobo | Ceo e Editora Geral Júlio Damião Ceo da W3 Investimentos, autor de 5 livros, + de 34 mil seguidores no Linkedin, está entre os 50 Top Voices de Negócios e Finanças do Brasil, conselheiro de empresas e presidente do IBEF.
Linkedin: Julio Damião Instagram: @juliodamiao ANÁLISE DE PERSPECTIVAS 2026: DÓLAR, INFLAÇÃO, SELIC, CHINA E A PREPARAÇÃO DAS EMPRESAS PARA A TURBULÊNCIA Decisões empresariais são solitárias por natureza, mas não podem ser solitárias por método. Quanto maior a incerteza, maior o risco de vieses e pontos cegos. A diferença entre quem atravessa a turbulência e quem fica pelo caminho não é o capital, é clareza estratégica traduzida em leitura de cenários correta. Se você sente que o mercado mudou, e mudou muito, o maior erro é continuar jogando com as regras antigas, ou pior, tomar as mesmas decisões que te colocam na zona de conforto porque o mercado não pune quem erra tentando, ele elimina quem insiste em não mudar. O que tenho presenciado em muitas empresas são decisões certa no timing errado, é a mesma coisa de baixar o “trem de pouso” 15 min depois do avião explodir na aterrisagem, novamente, decisão certa no timing errado é inócuo.
O ano de 2026 não marca um novo ciclo econômico, marca o aprofundamento de uma mudança estrutural que já está em curso. Juros altos, dólar volátil, inflação invisível, tarifas globais, competição chinesa em escala industrial e capital cada vez mais caro deixaram de ser exceção, tornaram-se regras. Não estamos entrando em um período de turbulência, nós já estamos nela. A grande diferença é que agora a turbulência deixou de ser temporária e passou a ser estrutural. Não é mais um ciclo curto de ajustes, mas uma nova normalidade marcada por uma volatilidade que traz cada vez mais incertezas, o resultado é que estamos em uma competição que deixou de ser “justa” há muito tempo. O erro mais comum das empresas brasileiras neste momento é tratar esse cenário turbulento de 2026 como algo temporário, algo que “vai passar”, outro erro é “politizar demais” porque o seu planejamento e o seu caixa não sabem o 14 que são partidos políticos.
Tenho orientado muitos CEOs e falado nos conselhos de administração: foquem em ter clareza e na execução correta da operação, porque neste mundo extremamente turbulento não teremos certeza e muito menos previsibilidade. Nesse novo cenário, a experiência acumulada é valiosa, mas insuficiente. O que separa empresas que atravessam turbulências das que se tornam irrelevantes é a qualidade da leitura de cenários e o timing das decisões. A pergunta que todas as empresas deveriam se fazer não é “como a empresa cresceu até aqui”, mas sim: o que garante que continuarei relevante daqui para frente? A pergunta incômoda é simples: Se o seu mercado mudar estruturalmente nos próximos 24 meses, sua empresa está preparada ou apenas confortável? Cenário 2026 A China não compete apenas com preço, compete com escala, automação, velocidade, integração logística e visão de longo prazo.
Enquanto muitas empresas ainda discutem política local, a China investe pesadamente em robótica, inteligência artificial e produtividade industrial. Isso significa que os preços chineses de hoje, que já incomodam, tendem a parecer caros em um horizonte de três anos. Some a isso as tarifas globais impostas pelos Estados Unidos, e o resultado é um cenário onde o custo global aumenta para todos. Quem não entende isso tenta competir como se o mundo ainda fosse previsível. A decisão estratégica não é ideológica, é econômica e sem ruídos, as empresas tem duas escolhas: competir sozinho ou sobreviver em parcerias.
Empresas que não repensarem posicionamento, cadeias produtivas e alianças estratégicas correrão o risco de se tornar commodities, brigando apenas por preço e, inevitavelmente, tomadoras de prejuízo porque estamos em um mundo de que chamo de “mesmice de qualidade”, tudo o que você consome tem qualidade e a diferenciação vem com a personalização e a experiencia do cliente. A pergunta correta não é quando volta ao normal, mas sim qual é o novo normal e como competir dentro dele.
1- Dólar: Menos sobre câmbio, mais sobre riscos, cuidado com a variação cambial, não deixem que os resultados sejam impactados levando a uma perda de liquidez.
2- Desglobalização seletiva: Todas as cadeias produtivas estão sendo refeitas, então importante analisar a sua área de compras e novas parcerias estratégicas.
3- Reindustrialização em blocos: Stellantis, Ford e GM f izeram parcerias com a China, não deixe de analisar novas parcerias estratégicas e transferência de tecnologia.
4- IA de forma estratégica: Um erro é delegar IA apenas para a área da TI, perguntas importantes como: “Se todo mundo está usando o ChatGpt, como capturar esta oportunidade de produtividade na empresa?” devem ser feitas pelo CEO e conselho de administração.
5- Mundo caro: Tarifas continuarão a pressionar o caixa das empresas e os seus custos, pelo simples motivo de que todos os países foram tarifados, assim o custo global aumentou e com ele o seu desafio de caixa e margens.
6- Oportunidade permanente de exportações: Indiferente do tamanho das empresas, existe a oportunidade para exportações, o mundo está conectado, e tenha certeza, mesmo que você seja local, é possível tomar decisões globais que impactam positivamente na sua competitividade.
7- China: Impactará na sua empresa muito mais do que a Selic e Inflação porque eles conseguiram uma fórmula importante: Produção de qualidade em escala global e com preços extremamente baixos. Fábricas da China estão se automatizando (robôs) muito mais rápido do que o resto do mundo, isto quer dizer que eles estarão cada vez mais a frente em termos de produtividade. Importante fazer parcerias com eles, hoje é impossível competir, e ainda mais no futuro. Foto: Divulgação
8- Selic: O mundo e Brasil continuarão caros, se endividar para “tapar” buraco no caixa é o maior risco que pode cometer no curto prazo porque não resolve o problema.
9- Reforma Tributária: Não é mais reforma, é mudança das regras e importante as empresas jogarem este jogo corretamente, porque não existe dinheiro “pequeno” quando o assunto é tributário. Em vez de perguntar “Para aonde o mercado está indo?”, a pergunta correta passa a ser: “se variar dentro deste intervalo, o que faço? Quando você deixa de adivinhar e passa a trabalhar com cenários em ciclos, algo poderoso acontece: Sua chance de adaptação não é mais de 50% (porque não está tentando adivinhar), ela se aproxima de 90% porque agora você está com o seguinte pensamento: A questão não é se você está certo ou errado. É quanto você ganha quando está certo e quanto perde quando está errado. Desde que o equilíbrio seja positivo, o sistema funciona, não é futurologia, não é achismo, Isso é leitura de cenários sem ruídos.
Nunca se esqueça, o caixa é rei e continuará sendo, lucro contábil não paga boletos, caixa paga. Gestão de caixa precisa ser diária, obsessiva e estratégica. Importante as empresas implementarem Conselho de administração, porque deixou de ser luxo. Empresas sem visão externa, sem contraditório e sem disciplina de governança erram mais e erram grande. Conselho bom não serve para validar decisões, serve para evitar erros fatais. Conclusão é que turbulência não é ameaça, é seleção natural. Toda crise faz a mesma coisa, separa discurso de realidade. Minha projeção para 2026? Não existe mais espaço para…… amadores!!!! ●













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